Desenvolvedor do rsync pede desculpas, lança versão corrigida, anuncia grupo de testadores

comunidade, seguranca

O LWN trouxe a informação e reproduziu o e-mail em que Andrew Tridgell pede desculpas e informa evoluções positivas, após a descoberta de regressões no código de versões recentes do rsync (depois de ele ter adotado o vibe coding), e de uma primeira reação bem menos positiva da parte dele.

Como eu disse no post que cobriu o capítulo anterior dessa novela, tenho imenso respeito pelo legado dele, e lamento especialmente que isso esteja acontecendo porque ele preferiria estar curtindo a aposentadoria mas não encontrou um mantenedor à altura para herdar o projeto.


Uma vinheta do rsync com o pinguim Tux

Nesse sentido, o pedido de desculpas dele também me entristece, por ser pelo fator errado: a reação inicial destemperada mereceria sim um pedido de desculpas, mas ter errado na disponibilização de código (mesmo que por uma imperícia que não é característica do seu histórico) é algo que acontece e não demanda se desculpar.

As notícias do contexto são boas: ele acabou se motivando para lançar uma nova série 3.5 do rsync; lançou uma versão 3.4.3 para corrigir as regressões recentes (que vem acompanhada de um kit para implementar as mesmas correções nas versões usadas em distribuições LTS correntes); para a futura série 3.5, criou um grupo de testadores, como prevenção adicional para novas regressões; não acha mais que seu novo software testador é a garantia universal de compatibilidade de código.

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Por Augusto Campos | 8/06/2026

Novidades no BR-Linux: IPv6, reacts aos posts, layout em celulares, mês do orgulho e mais

site, comunidade

No final de semana tive tempo de dedicar algumas horas à lista de pendências nas áreas que são mais visíveis pelos leitores, e aqui estão as novidades implementadas, que estarão em testes ao longo desta semana:

  1. Acesso ao BR-Linux via IPv6: ativado, e cadastrado no DNS. Endereço: 2607:F298:0006:A027:0000:0000:06FA:83EF. Atendendo à sugestão do @UnderEu@mas.to, que testou e validou. Obrigado!
  2. Celulares X Posts com vídeos: Consertei o layout em telas estreitas (celulares), que estava alargando demais quando algum post incluía um vídeo do YouTube. Agora o vídeo se restringe à largura da tela, mesmo quando o embed gerado pelo Youtube tenta expandi-lo.


Print de um post do BR-Linux mostrando os emojis de joinha, riso, corações, etc., e um número ao lado de cada um deles.
Exemplo de interface dos reacts/reações dos leitores

  1. Reações (joinha, etc.) aos posts: ativado, a princípio apenas para posts com até 1 semana de idade. Incluí 6 categorias, representadas subjetivamente, a partir dos emojis a seguir: 👍🏻 🤣 🥰 😮 😤 👎🏻. A sugestão foi do leitor Alexandre Anacleto, via formulário de contato, e o recurso está em teste, porque caso venha a me gerar esforço de moderação, não vou manter.
  2. Mês do orgulho: a comunidade LGBTQIAPN+ celebra em junho o Mês do Orgulho, e o BR-Linux reafirma ser a favor da inclusão e da diversidade. Na atualização dos termos de uso do site (que permanece na lista de pendências), procurarei deixar ainda mais claro que aqui se combate a discriminação, e não há lugar para homofobia e transfobia, assim como não se tolera racismo, capacitismo, xenofobia, misoginia, etarismo, gordofobia e várias outras manifestações da mesma espécie.
  3. Metadados dos posts: ajustes e evolução dos campos de tags, autoria, data, etc. dos posts, nas capas e nas páginas de post individual. A versão anterior era de um layout de 2013, ainda tinha link para compartilhar no Facebook…
  4. Formulário de indicação de notícias: está funcionando muito bem, e é sempre muito bom receber por meio dele as indicações das pautas que vocês desejam ver divulgadas aqui. Agora melhorei as instruções sobre o preenchimento dos campos (com exemplos!), e ajustei o antispam, porque os bots de spam já redescobriram esse recurso.
  5. Posts com texto enviado pelos leitores: reativação de um estilo de formatação específico para dar destaque especial quando o post é de texto enviado por leitores , que havia sido esquecido quando fiz a modernização do layout, num sprint anterior.

A retomada do site é bem trabalhosa, mas faço com prazer (e sem pressa). Ainda há muito a avançar!

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Por Augusto Campos | 8/06/2026

Soberania Digital: Europa abraça o open source (e o Mastodon)

governos, soberania, fediverso

Gostaria de ver similar decolar em nosso país: a Comissão Europeia anunciou na semana passada a sua proposta oficial de pacote de medidas estratégicas de soberania tecnológica, para reforçar a autonomia e resiliência digital da Europa.


Foto do evento em que foi apresentada a estratégia
A equipe de soberania digital da Comissão Europeia, no evento que apresentou o pacote de medidas.

A estrutura de governança da Europa reconhece como um problema o fato de, neste momento, depender de fornecedores externos de tecnologia para mais de 80% das infraestruturas digitais críticas. A frase da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen é expressiva:

"Não podemos nos permitir depender de terceiros para as tecnologias que mantêm os nossos hospitais em funcionamento, as nossas redes energéticas estáveis e os nossos serviços seguros. Trata-se de proteger os nossos cidadãos, defender os nossos interesses e fazer as nossas próprias escolhas."

Segundo o comunicado, a nova abordagem da União Europeia aos ecossistemas digitais abertos visa mudar isso, apoiando soluções de código aberto em todos os níveis, valorizando a auditabilidade e a segurança, e combatendo o aprisionamento criado pelos sistemas proprietários.

Também há medidas referentes a hardware, nuvem e IA, e menção específica a redes sociais verdadeiramente descentralizadas e soberanas: “Fortalecer o espaço das redes sociais de código aberto apoiando soluções e plataformas de redes sociais abertas e descentralizadas. A Comissão gere atualmente uma instância Mastodon – que hospeda a presença da Comissão – e planeja alargar a base de usuários às instituições da UE”.

Tomara que a moda pegue.

Referência: Commission proposes tech sovereignty package to strengthen Europe's digital autonomy and resilience.

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Por Augusto Campos | 8/06/2026

C0XMO, malware ~inclusivo forma uma botnet a partir de dispositivos com DD-WRT

malware, seguranca, conectividade

O DD-WRT, popular sistema open source para roteadores e dispositivos embarcados, virou alvo do C0XMO, um malware que estabelece uma botnet diretamente dos roteadores (e outros dispositivos, como DVRs e equipamentos de gerenciamento) invadidos, e os usa para gerar ataques de negação de serviço contra alvos selecionados pelos operadores dessa infraestrutura nefasta.


Foto de um roteador Linksys WRT3200ACM
O Linksys WRT3200ACM é um dos muitos dispositivos que rodam o DD-WRT

O DD-WRT roda em diversas arquiteturas, e o C0XMO não fica atrás: foram encontradas amostras de código do malware para ARM, MIPS, PowerPC, SuperH, x86, x86_64 e mais. Ele vasculha a Internet em busca de equipamentos vulneráveis a uma falha no serviço UPnP do DD-WRT e com senhas pouco complexas, e se replica para eles automaticamente, ampliando a botnet.

Uma vez instalado, o C0XMO remove ou desativa outros malwares que tenham se aproveitado da mesma falha para invadir o mesmo equipamento, e ativa uma série de salvaguardas para garantir a sua própria execução periódica, ao mesmo tempo em que estabelece conexão com um servidor central, do qual recebe comandos para inspecionar redes ou atacá-las.

Para prevenir a infestação, o ideal é começar por ter em seu equipamento a versão mais recente do DD-WRT, e uma senha que não seja fácil de adivinhar.

Referência: C0XMO botnet spreads via DD-WRT router flaw, kills rival malware.

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Por Augusto Campos | 8/06/2026

LibreOffice corrige Euro-Office e quer o título de primeiro pacote de escritório open source europeu

comunidade, software, tretas

O Euro-Office é o pacote de aplicativos de escritório que nasceu da positiva onda de soberania tecnológica da União Europeia, vem sendo desenvolvido por um consórcio de empresas e projetos (como Nextcloud, Open-Xchange, OpenProject, Proton e Tuta) e tem como principal base um fork do código open source do ONLYOFFICE (que é de origem russa, e cujos desenvolvedores não aderiram ao esforço da União Europeia).

Aplaudimos a existência e desejamos sucesso ao Euro-Office, mas há algo que ele diz ser, e não é – ou, no mínimo, há espaço para contestação, mesmo que não se dê total razão ao incômodo expresso pelo LibreOffice sobre o Euro-Office dizer que é o primeiro pacote de escritório open source europeu.

A carta aberta do LibreOffice, datada de hoje, começa assim:

Nos últimos dias você tem lido vários artigos anunciando a chegada do Euro-Office, que anunciado como o primeiro pacote de escritório de código aberto desenvolvido na Europa. Somos compelidos – com relutância, uma vez que o código aberto deve basear-se na transparência e não na fraude – a corrigir esta afirmação. O primeiro pacote de escritório de código aberto desenvolvido na Europa foi o OpenOffice.org em 2001, baseado no código-fonte do StarOffice, e seguido pelo LibreOffice a partir de 2010.

Eu estou nesta estrada há tempo suficiente para ter usado o StarOffice para Linux (importei uma caixa enorme de discos de instalação e manuais impressos, na época vendidos na Alemanha pela SuSE). Comemorei a abertura do seu código, que veio na virada do século, após a compra pela Sun Microsystems (dos EUA).


uma caixa de CD com rótuoo da StarDivision
Uma mídia de instalação do StarOffice, quando ainda era proprietário e pertencente à Star Division

No ano 2000 Sun abriu o código do StarOffice, que comprou em 1999 da empresa alemã que o desenvolvia desde 1985. Esse código deu forma ao OpenOffice, mantido pela Sun até a aquisição da empresa pela Oracle, em 2010. A aquisição pela Oracle acabou dando o ensejo para a criação do fork comunitário LibreOffice (também em 2010), administrado pela The Document Foundation, uma ONG sediada na Alemanha. Em paralelo, no ano seguinte, o código e a marca do OpenOffice foram herdados pela Apache.

Para mim, há pouco espaço para dúvida: o LibreOffice é um pacote de escritório open source europeu, desde 2010. O fato de o código ter sido aberto nos EUA não muda a sua origem, nem interfere na nacionalidade do projeto.

Afinal, se o Euro-Office quer dar importância especial ao país de origem de cada aplicativo, é bom que o faça de forma consistente.

Referência: blog.documentfoundation.org

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Por Augusto Campos | 8/06/2026

Armbian Imager 2.0 agora permite configurar o sistema antes de gerar a imagem de instalação

distribuicoes

Quem tem demanda de instalar com frequência sistemas operacionais em computadores de uma placa só (como o Orange Pi, Banana Pi, Odroid, Raspberry Pi e similares) vai gostar de saber que agora o gerador de imagens de instalação do Armbian permite configurar previamente itens como login, senha, Wi-Fi, fuso horário, localização, chaves SSH e shell.


Tela do Armbian Imager 2.0
Armbian Imager 2.0

Ter esses detalhes pré-configurados na imagem permite dar boot com um estado muito mais pronto para uso na máquina de destino, que frequentemente tem menos recursos e usabilidade do que a máquina usada para gerar a mídia de instalação – já que o Armbian Imager roda em Linux, Mac e até Windows.

Na prática, em alguns casos, isso permite ter a máquina acessível e configurável remotamente desde seu primeiro boot, sem que ela precise ter um console local.

Armbian, você sabe, é um projeto que disponibiliza uma plataforma unificada, baseada em software do Debian e do Ubuntu, pronta para produção em mais de 300 computadores baseados no fragmentadíssimo ecossistema do hardware ARM. As imagens de instalação do Armbian incluen o kernel e configurações específicos para cada placa, com drivers testados e grande chance de a placa funcionar de primeira, sem ter que recorrer a forks de cada fabricante.

Referência: Armbian Imager 2.0 Flashing Tools Debuts with First-Boot Setup Profiles

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Por Augusto Campos | 8/06/2026

Lançamento do LibreOffice 26.2.4

software

Enviado por Eliane Domingos (elianedomingosθlibreoffice⸱org)

A The Document Foundation anuncia o lançamento do LibreOffice 26.2.4, a quarta atualização de manutenção da linha LibreOffice 26.2. Baseada na grande versão lançada em fevereiro deste ano, esta nova compilação traz correções de bugs pontuais e melhorias importantes de estabilidade, graças ao esforço conjunto da comunidade global de desenvolvedores e engenheiros de QA (Garantia de Qualidade).


Banner do LibreOffice 26.2.4

O LibreOffice 26.2.4 já está disponível para download imediato no site oficial, com versões compatíveis para Windows, macOS e Linux.

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Por Augusto Campos | 8/06/2026

Cloudflare confirma: a Internet já tem mais tráfego de bots do que de pessoas

distopia, web

Vejam que momento mágico eu escolhi para recolocar no ar o BR-Linux: cada vez mais, precisaremos de conteúdo escrito por pessoas que desejam ser lidas por pessoas!

Os acessos vindos de bots (automatizados) já são 57,5%, de acordo com os dados mais recentes da Cloudflare, um dos maiores funis dos conteúdos da web moderna. É a primeira vez na história em que isso acontece, e antecipou até mesmo a previsão pessimista do CEO da empresa, que previa para o ano que vem essa ultrapassagem.


uma fila de robôs em frente a um datacenter

E não são aqueles bots ~tradicionais (rastreadores de sites, indexadores de pesquisa, bots de DDoS, etc.): a Cloudflare sublinha que está mapeando agentes que navegam na web fingindo serem pessoas, em nome de pessoas, e que _isso_ já está em grande escala, em tarefas como comparar preços, pesquisar voos, pedir refeições ou lidar com interações de SACs e atendimento a clientes em geral.

Em termos de tempo on-line, entretanto, os humanos continuam ~ganhando.

Referência: ‘Bots have now passed human traffic online,’ Cloudflare boss laments — says agentic traffic wasn’t expected to eclipse real people until next year

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Por Augusto Campos | 5/06/2026

Criador do rsync responde (mal) à controvérsia sobre as regressões causadas pelo seu uso de vibe coding

desenvolvedores, comunidade, seguranca

Quero começar dizendo algo que precede: tenho imenso respeito pelo legado de Andrew Tridgell, o desenvolvedor em questão. Sua principal criação – o Samba (1992-) – foi um dos grandes impulsionadores da vitória do código aberto nos conflitos da interoperabilidade com redes proprietárias, na virada do século. Não satisfeito, ele também co-inventou o rsync (1996-), que há décadas é um fundamento da sincronização de arquivos entre servidores, e um elemento central em muitas estratégias de backup.

Isso não impede minha rejeição (na verdade, aumenta o tamanho da decepção, embora eu não negue que ele tenha o direito de se posicionar como bem entender) à resposta que ele publicou sobre a recente controvérsia causada pelas regressões no código do rsync, iniciadas quando ele resolveu aplicar vibe coding ao seu desenvolvimento, como vimos neste post anterior aqui no BR-Linux: “Novas versões do rsync trazem bugs críticos surpreendentes e foram feitas com IA”.

A resposta dele me desaponta por vários motivos, mas o principal é se esforçar para desqualificar coletivamente quem criticou a situação.

A resposta dele me desaponta por vários motivos, mas o principal é ele concentrar boa parte dela em uma visão que desqualifica coletivamente (com expressões como “uma enxurrada de lama dos assim chamados especialistas da internet”) quem criticou a situação atual do código – que objetivamente não é boa, ainda mais se comparada ao histórico do próprio projeto.

A resposta dele também me preocupa, porque ele confirma que preferiu uma estratégia em que a IA não apenas escreve o código novo para o rsync, mas escreve os testes que validam esse código novo. O resultado nós vimos nas atualizações recentes (e não surpreende, dado o método), Mas Tridge defende longamente essa escolha, e rejeita (literalmente) os PhDs que apontam os riscos dessa estratégia, como se estivéssemos falando de um risco teórico, e não da sua materialização na forma de regressões em um sistema previamente estável.

A resposta de Tridge também me causa rejeição porque ele – que acusou os outros de jogarem lama – aproveitou para jogar lama no openrsync (que eu uso há anos, e agora vou usar em mais máquinas) como alternativa a quem deseja migrar do seu projeto, com o argumento de que não passa em boa parte da sua nova suíte de testes (aquela que ele acabou de pedir para a IA criar…).

Esse argumento dele é duplamente ruim: primeiro, porque desconsidera que o openrsync atualiza segurança e compatibilidade, mas intencionalmente congelou sua base nos recursos e interfaces do rsync de uma versão estável de um bom tempo atrás (é com o rsync 3.1.3, de 2018), portanto naturalmente não passaria em testes desenhados para atestar compatibilidade com versões posteriores. E segundo, porque no mesmo post, Tridge sugere aos descontentes que instalem versões anteriores do próprio rsync (mesmo sabendo que elas possuem falhas de segurança, que foi o que o motivou a usar vibe coding no projeto, conduzindo à situação atual).

Em suma, uma má resposta, que não resolve nenhum problema, por mais que o autor tenha direito de se sentir injustiçado ou desvalorizado pela enxurrada de críticas.

Mas há algo que me dói um pouco mais, e aí é a favor do Tridge, e não contrário ao seu posicionamento: ele abre o texto dizendo que está aposentado, e prefere ir velejar do que ficar cuidando de softwares. Ao longo do texto, ele retorna a essa ideia. É evidente o quanto ele está em busca de uma alternativa que permita viabilizar isso (e pensou ter encontrado na IA).

Eu concordo com ele quanto ao desejo: ele tem direito, e merece poder desfrutar da aposentadoria. Sabemos que ele já tentou passar o rsync para outro mantenedor, mas não deu certo, e o projeto voltou a ele.

Tomara que uma próxima tentativa dê mais certo, Tridge possa se aposentar efetivamente, e deixe o projeto em boas mãos.

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Por Augusto Campos | 5/06/2026

Feliz aniversário, Phoronix – 22 anos de qualidade na cobertura do cenário open source

comunidade, site

O BR-Linux, que completa 30 anos em novembro deste ano, deseja feliz aniversário ao Phoronix, que é o aniversariante do dia. Parabéns!

Hoje completam-se 22 anos desde o dia em que Michael Larabel criou o Phoronix, inicialmente voltado a reviews de hardware rodando Linux, e hoje um dos principais recursos internacionais de notícias e comentário especializado sobre a cena open source.


logotipo do Phoronix

Parabéns ao Michael pela resiliência, pela qualidade do resultado, e por continuar resistindo a se juntar a um cenário cada vez mais caracterizado por veículos que copiam conteúdo alheio ou se limitam a transcrever releases recebidos das assessorias de imprensa das marcas, ou mesmo a vender seu espaço para publicar propaganda fingindo ser conteúdo editorial.

Referência: phoronix.com

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Por Augusto Campos | 5/06/2026

Microsoft adere e anuncia a chegada oficial do Coreutils ao Windows, com cat, cp, ls, tee e mais

unix, windows, msx, software, retro

Em um evento voltado a desenvolvedores, a Microsoft anunciou o Coreutils for Windows, descrito como parte de uma estratégia para tornar o Windows uma plataforma amigável a esse público (ao aproximá-lo cada vez mais da linha de comando das distribuições de Linux, mas essa parte ela não disse em voz alta).

A turma do Retrópolis certamente vai identificar um padrão 👇🏻 ao saber que a Microsoft anunciou ontem o lançamento do componente 'Coreutils for Windows', levando ao sistema deles uma implementação nativa, e oficialmente mantida, de uma série de comandos e utilitários herdados do Unix dos anos 1970 e 1980, e que a partir de 1990 evoluíram como parte do GNU Coreutils (que só ganhou esse nome a partir de 2002, porque antes era dividido entre textutils, shellutils, fileutils e mais alguns pacotes isolados).

A implementação da Microsoft usa a mesma estratégia do BusyBox: um único executável, e inúmeros links apontando para ele, com nomes distintos como cat, cp, mv, ls, base64, pwd, tee e muitos mais. E o pacotão da Microsoft usa a reimplementação das coreutils em Rust (aquela mesma que a Canonical incluiu cedo demais como default no Ubuntu), e também incluiu alguns softwares extras, relacionados aos comandos find e grep.

Alguns dos comandos, que dependem de funcionalidades do POSIX que não são nativas no Windows, não foram incluídos na versão atual – assim, não estão disponíveis itens como chmod, chown, chroot, nohup, tty, kill e timeout. Quanto aos que foram incluídos, a Microsoft já avisa para não esperar compatibilidade plena e imediata, porque até a forma como os 2 sistemas identificam o final de cada linha de texto é diferente, e certamente haverá outras diferenças mais profundas a serem identificadas para corrigir ou conviver.


Foto de um disquete e de uma página de manual em japonês
Disquete e lista de comandos do MSX-DOS Tools, de 1987, que supria a mesma demanda em outra plataforma da Microsoft

E o padrão retrô que eu mencionei acima é este: os comandos mais essenciais do Unix sempre acabam dando um jeito de chegar às plataformas da Microsoft, cuja linha de comando suporta os recursos necessários de redirecionamentos e pipes, mas não vem com a mesma riqueza de filtros para explorá-los.

Eu já fui usuário dessa ideia ainda no século XX, com o pacote MSX-DOS Tools (lançado em 1987 pela Ascii Corp., parceira da Microsoft no Japão), que incluía no MSX-DOS da Microsoft vários comandos do Unix como grep, head, tail, tr, uniq, wc, sort e patch.

Referência: infosec.exchange

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Por Augusto Campos | 3/06/2026

Transmission 4.1.2: nova versão do popular cliente BitTorrent corrige bugs

aplicativos, torrent

A versão 4.1.2 do Transmission chegou trazendo mais de 20 correções de bugs.

Quase não há novas funcionalidades nessa versão, o que não significa que você não deva instalá-la, já que alguns dos bugs corrigidos tem implicações diretas em segurança do sistema, e em estabilidade das transferências de arquivo – incluindo um bug quase sádico, que às vezes deixava um download estacionado permanentemente em 99%, sem jamais indicar sua conclusão.

Referência: techhub.social

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Por Augusto Campos | 3/06/2026

Ex-astronauta da Canonical afirma: Ubuntu é o sistema operacional para a era dos agentes de IA

distribuicoes, distopia

No momento, o foco da firma do ex-astronauta é a turma que acredita na IA como motor do futuro do desenvolvimento de software, e ontem ele deixou isso claro ao palestrar em um evento em que seu assessor para assuntos de tecnologia aproveitou para afirmar que eles rejeitam a postura de quem se mantém afastado da IA por princípios morais.

Sabemos que o Ubuntu não deseja ser, nem nunca desejou, uma continuidade daquela visão do que seria uma distribuição Linux ortodoxa (melhor representada por projetos como o Slackware); a esta altura já não surpreende que esteja a cada 4 anos mudando quem é o seu público-alvo (já foi mobile, já foi a turma da convergência de telas), nem que abandone na chuva o público-alvo anterior a cada troca de foco – que é a parte que me levou a abandoná-lo há 16 anos (hoje minha distribuição do dia a dia é o Debian, nunca fui triste), após uma regressão grave na qualidade do instalador, que me custou dados e muito stress, na época em que eles resolveram se concentrar em ter seu próprio ambiente gráfico.


Foto de um executivo em palco de apresentação
O ex-astronauta da Canonical

E a palestra do CEO da Canonical e ex-astronauta Mark Shuttleworth deixou clara, mais uma vez, essa desconexão com o legado, pois ele falou com todas as letras: para esse mundo novo que ele enxerga como o futuro para o Ubuntu, não há alternativa exceto “os usuários irem além do apt e rpm, para snaps assinados, atualizados automaticamente e orientados por políticas” – formato e modelo de distribuição de pacotes que a empresa dele prefere há tempos, e agora justifica com a palavra mágica “IA”.

Outro ponto em que o ex-astronauta apresenta a mesma desconexão em relação ao modelo ortodoxo de Linux é a insistência em containers. Para ele, containers são a solução desde a base, com "tudo rodando em caixas de ferramentas isoladas em camadas", o que seria uma solução ideal para a sua visão em que seu público-alvo “deseja rodar milhares de agentes”, e assim cada instância do Claude e do Copilot terá completo isolamento.

Essa solução containerizada é complementada pelo 'Workshop', um modelo que permite ao administrador hierarquizar os tokens, senhas e acessos, passando a cada agente apenas o conjunto que ele precisa ter, e reduzindo assim a atual onda de ataques em que agentes roubam conjuntos inteiros de credenciais de máquinas de desenvolvimento ou acessíveis por elas.

Esse público-alvo a que ele está se dirigindo existe? Certamente, e parte dele deve até mesmo estar lendo o BR-Linux neste momento, enquanto acredita no acerto das medidas da Canonical – e pode até estar certo, quanto ao sucesso mercadológico do contexto tecnológico que a empresa adotou, pois nada está definido no momento.

A certeza que eu tenho, entretanto, é que eu não sou parte desse público-alvo, e isso não mudaria, caso eu fosse fã de IA no desenvolvimento de software. No nível sistema operacional, eu prefiro interfaces e conhecimentos estáveis ao longo de muitos anos, e não uma sucessão de tentativas periódicas de me levar a adotar um novo ambiente, um novo padrão de empacotamento, um novo conjunto de coreutils etc., enquanto vejo os recursos e requisitos que eu valorizava sendo largados pelo caminho.

Referência: tech.lgbt

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Por Augusto Campos | 3/06/2026

El Poblador: Jogue Catan no seu terminal

jogos, apps, software

O OMGUbuntu destaca o jogo El Poblador, uma implementação open source do jogo de tabuleiro Settlers of Catan, feita em Go, que funciona no terminal e permite partidas entre até 4 jogadores.


Print de um terminal rodando o jogo El Poblador
Jogo El Poblador rodando em um terminal

Por enquanto funciona apenas em modo local (ou seja, várias pessoas se alternando em frente a um mesmo terminal), mas a expansão para partidas entre jogadores remotos já esta planejada. E achei bem bonitinha a interface TUI já implementada!

O desenvolvedor não buscou permissão para usar a marca registrada, então nada de chamarmos de Settlers of Catan – o nome é El Poblador! Quanto ao código, entretanto, está tudo bem definido: é open source e free software, com a licença EUPL 1.2, da União Europeia – mesma licença do Pi Hole, entre outros projetos.

Referência: techhub.social.

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Por Augusto Campos | 2/06/2026

Malware de roubo de credenciais é encontrado em 32 pacotes npm da IBM Red Hat

seguranca, distopia

Mais de 30 pacotes npm disponibilizados no namespace ‘@redhat-cloud-services’, da Red Hat, foram comprometidos em um ataque que distribuiu uma nova variante do malware de roubo de credenciais Shai-Hulud, apelidado de “Miasma”.

“A Red Hat está ciente dos relatórios de segurança sobre certos pacotes npm em nosso ecossistema de ferramentas de desenvolvimento. Iniciamos imediatamente uma investigação e removemos os pacotes do registro npm”, diz o comunicado que a empresa está distribuindo à imprensa.

A Red Hat também diz que os pacotes estão limitados ao uso no desenvolvimento interno, e que "não identificou nenhum impacto a sistemas de clientes ou parceiros, ou a ambientes de produção internos", e se negou a responder sobre como foi que os pacotes foram infectados.

Já as empresas de segurança Aikido e OX Security, que identificaram e reportaram a situação, dizem que os pacotes em questão (96 versões de um total de 32 pacotes) recebem cerca de 117 mil downloads semanais, e que o malware inserido nos pacotes foi projetado para roubar credenciais de desenvolvedores, segredos de nuvem, chaves SSH, tokens CI/CD e outras informações confidenciais.

Está mesmo sendo um ano distópico para o cenário da tecnologia da informação em geral, e da segurança digital (e da privacidade) em particular: essa mesma família de malwares já foi encontrada também em pacotes mantidos por organizações como Bitwarden, SAP, Mistral, TanStack, OpenAI e o próprio GitHub.

Neste momento, a orientação a quem instalou algum das versões afetadas é rotacionar imediatamente todas as credenciais, segredos e tokens utilizados pelo código no dispositivo infectado.

Via BleepingComputer: Red Hat npm packages compromised to steal developer credentials.

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Por Augusto Campos | 1/06/2026